quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A MATERNIDADE

Já comentei aqui no blog que pelo sistema público de saúde aqui da Austrália nós não podemos escolher a maternidade. Em a gravidez não sendo de risco, a grávida tem seu bebê na maternidade mais próxima à sua residência. Por eu morar praticamente no centro da cidade, o Leo nascerá no The Royal Women's Hospital, a melhor maternidade daqui.



Semana passada tivemos o Hospital Tour. Uma das parteiras mostra toda a maternidade para um grupo de papais de mamães, desde a área de visitantes até a sala de parto. Saímos de lá bem felizes e satisfeitos.

Infelizmente eu não tenho nenhuma foto, então darei o máximo de detalhes possível para vocês conseguirem imaginar. Também já comentei que aqui na Austrália eles fazem de tudo para que a gravidez e o parto sejam o mais natural possível, tendo intervenção médica somente se necessário. Por isso as mulheres dão à luz em um quarto ao invés de ficarem numa sala de parto com cara de hospital. Conforto e liberdade em primeiro lugar. Todos os quartos são particulares, grandes e possuem tudo que a grávida possa querer e precisar durante o trabalho de parto:

- cama
- poltrona
- TV
- caixinhas de som para o celular / laptop / tablet... eles aconselham levarmos nossa playlist com músicas que relaxam e nos deixam felizes.
- banheira
- bola de ginástica
- chuveiro

Ao mostrar cada parte do quarto, a parteira foi demonstrando algumas posições para o parto também. Tirando a cesariana, eles dão todas as opções possíveis para você escolher a que acha melhor para você e seu bebê. E eles também dão várias opções para a dor além da peridural (tópico para um próximo post). A escolha de quem vai ficar no quarto também é da mulher. 

Assim que nasce, o bebê fica em contato com a mãe pele a pele, até que ele, naturalmente, pegue o peito para mamar. As parteiras ajudam com relação à pega correta e, depois de um tempo que o bebê amamentou, ambos são enviados para o pós-parto. 

São três tipos de sala pós-parto:

- individual, com cama de casal
- individual, com cama de solteiro e banheiro conjunto com o quarto ao lado
- compartilhado com mais uma mamãe (eles só colocam duas mamães no mesmo quarto quando todos os outros já estão ocupados)

Mesmo no pós-parto o bebê fica o tempo todo com a mãe, que pode autorizar até dois visitantes por vez. 

Se tudo ocorrer tranquilamente, sem complicações, mamãe e bebê são enviados para casa. Isso pode acontecer até em menos de 24h. 

Ainda não sei exatamente o processo após a volta para casa, mas sei que uma parteira do hospital faz algumas visitas na sua casa para checar a saúde de ambos, bem como a amamentação. 

Assim como qualquer grávida, estou preocupadíssima com relação às dores (até porque já sentimos diversas dores durante a gravidez. A dor das contrações é inimaginável para mim, mesmo tendo 7 tatuagens e já tendo passado por crise de pedra no rim), pensar em ter um parto naturalizado é lindo e amedrontador ao mesmo tempo. Mas saber que eu tenho toda a liberdade de escolha se eu quiser tomar anestesia e ver o conforto do quarto onde darei à luz me deixa um pouco mais tranquila e infinitamente feliz.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

ESTRIAS

A gravidez, tão sonhada por muitas, traz a coisinha mais especial do mundo. Mas também traz algumas coisinhas extras, que não nos deixam muito feliz.

Algumas coisas como enjoo e gases passam, mas as benditas estrias são marcas que podem ficar para sempre com você. Elas podem não aparecer, mas também podem aparecer na barriga, coxas, glúteos, costas, braços e seios. 

A estria é um rompimento das fibras elásticas que sustentam a camada intermediária da pele e afeta não só grávidas, mas também adultos, adolescentes e até crianças. Além da gravidez, elas podem aparecer por ressecamento da pele, crescimento rápido e efeito sanfona. Elas aparecem vermelhas ou roxas e podem até coçar, mas com o tempo elas passam a ficar mais da cor da pele e deixam de ser tão visíveis. 

Desde pequena eu via minha mãe passando hidratante após o banho e ela me ensinou a fazer o mesmo. A verdade é que eu nunca tive muita paciência para isso. O crescimento rápido me trouxe algumas estrias e a genética me trouxe a pele seca. Com isso, fui obrigada a, mesmo sem paciência, começar a usar hidratante desde cedo. Comecei usando um só, no rosto. 

Quando casei já tinha passado para dois: um para o rosto e um para o corpo. Passei a ter o meu ritual após o banho, passar hidratante enquanto assistia seriado. Hoje, estou assim:


A triste realidade é que os especialistas acreditam que o surgimento dessas marcas tem muito mais a ver com a genética do que com o tanto de peso que a futura mamãe ganha na gestação. 

Alguns hábitos podem (e devem) ser adquiridos para evitar que elas apareçam:

- Beber muita água. Esse hábito é importantíssimo para qualquer ser vivo; para as grávidas passa a ser mais ainda.
- Ter uma dieta balanceada e rica em vitaminas e minerais.
- Hidratar a pele com cremes e óleos (o que eu achei melhor até agora, apesar de não ser o meu preferido, foi esse de manteiga de cacau).
- Fazer exercícios. Esse hábito mantém a elasticidade da pele e previne o ganho rápido e de muito peso. 

Bom, se depender da genética eu ganharei algumas estrias por conta da gravidez. Dizem para termos orgulho dessas marcas, afinal são marcas de uma coisa linda que aconteceu com o seu corpo. Eu, de qualquer maneira, estou gastando litros de hidratante, bebendo mais água do que eu já costumava, fazendo exercícios e me alimentando melhor para tentar não ganhar mais do que já tenho. Depois eu conto para vocês se funcionou ou não. 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

GRAVIDEZ E DEPRESSÃO

Você sempre sonhou em ser mãe. Planejou tudo direitinho e começou a tentar engravidar. Leu tudo e mais um pouco sobre o que fazer para ajudar a concepção e a posição abaixo fez parte da sua rotina.


Até que, finalmente, você recebe o seu (tão / completamente / exaustivamente) esperado positivo. Parabéns, mamãe! E então os enjoos, as dores nos seios e as constantes idas ao banheiro começam. Maquiagem, unhas feitas e cabelo arrumado viram passado na sua vida, já que qualquer 5 minutinhos que tenha, você aproveita para deitar (ou simplesmente encostar a cabeça na parede ou pessoa mais próxima e fechar os olhos). Você se sente exausta e uma baleia (se for sortuda como eu ainda é presenteada com todas as espinhas que não fizeram parte da sua adolescência). Não é à toa que o seu sorriso não aparece mais no seu rosto. Seu marido, completamente sem entender o que está acontecendo, pergunta diariamente "mas não foi isso que você sempre quis?".

E então você olha no seu app de grávida que diz "parabéns, você chegou ao segundo trimestre!" e pensa "tchau seios doloridos, tchau exaustão, adeus enjoos!" e vai fazer compras pro bebê para comemorar. 

Mas algo está errado. Você continua sentindo-se mal. Agora não é só o seu marido que não entende o que está acontecendo, você também não entende o porquê não sente a felicidade de estar realizando o seu grande sonho. E, por vergonha e medo do que as pessoas vão achar ou falar, você acaba engolindo o que está sentindo. 

É estimado que a depressão afeta 1 em 10 mulheres durante a gravidez e os hormônios não ajudam. Pode ser causada por vários motivos como problemas relacionados à fertilidade; histórico de doença mental, ansiedade ou depressão (incluso histórico familiar); problemas no relacionamento; histórico de aborto espontâneo (eu nunca tive, mas como 3 mulheres bem próximas a mim tiveram, eu passei as primeiras 12 semanas de gestação pensando nisso quase 24h por dia) e gravidez de risco. 

O grande problema da depressão gestacional é que a maioria das pessoas coloca a culpa nos hormônios e não vai atrás de descobrir o problema real. Se você está em depressão, pode sentir os seguintes sintomas (se você sentir 3 ou mais sintomas por mais de 2 semanas, converse com o seu médico):

- sensação de que nada mais é prazeroso, inclusive o que você mais curtia fazer
- sentimento de tristeza e vazio por grande parte do dia, todos os dias
- irritabilidade, agitação e choro excessivo
- dificuldade em concentrar-se 
- problemas para dormir ou dormir demais
- fadiga extrema, que nunca passa
- vontade de comer o tempo todo ou não querer comer nada
- sentimento excessivo de culpa, inutilidade e desespero
- pensamentos de suicídio e morte (acredito que esse seja em casos extremos)

Os hormônios mexem de verdade com a cabeça da futura mamãe, a gravidez realmente é uma mudança enorme na vida de qualquer um e os pais do bebê passam a ter preocupações diversas que nunca pensaram antes. Mas se você tem tido os sintomas acima por bastante tempo e eles estão afetando a sua vida, saiba que você não está sozinha e deve sim conversar com alguém. Procurar ajuda não é sinal de fraqueza, é sinal de preocupação, inteligência e força. Crescer um pequeno milagre dentro de você não é fácil, mas pode (e deve) ser uma das melhores coisas da sua vida! =)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

DANÇA PRO BEBÊ NASCER BEM

Novo ano, nova idade, novo trimestre, nova descoberta.

Sempre fui apaixonada por dança, fiz aulas de vários tipos diferentes e realmente acredito que dançar melhora o humor de qualquer um.

Essa semana, completamente por acaso, eu descobri que a Dança do Ventre não surgiu como uma forma de sedução, como é usada hoje. Na verdade não há estudos suficientes que comprovem sua real origem, mas falarei aqui sobre uma das teorias.

Algumas fontes apontam que a dança era ensinada para meninas quando elas entravam na puberdade para prepará-las para o parto. Quando a hora chegava, as outras mulheres da tribo formavam uma roda em volta da grávida e começavam a dançar. O objetivo era levar a mamãe a copiar os movimentos com seu próprio corpo. Esses movimentos facilitam o parto e reduzem as dores, pois a mulher move-se com ao invés de contra as contrações.

Bom, verdade ou não, a dança do ventre só traz coisas boas:

- Estimula a sensualidade e melhora a autoestima
- Combate a depressão e o stress
- É relaxante
- Fortalece os músculos, as articulações e a memória
- Alivia o mal estar, a prisão de ventre e a insônia
- Melhora a postura, a estabilidade, a respiração e a circulação

Como não possui nenhum impacto, ela pode ser praticada por qualquer pessoa, em qualquer idade. Os benefícios acima servem para todos. 

Para as gravidinhas:

- Fortalece os músculos que são usados para suportar e empurrar o bebê
- Os músculos pélvicos, que são tão comentados durante a gravidez, também são fortalecidos. Para quem não sabe, eles são responsáveis por aguentar todo o peso dos seus órgãos e mais o peso do bebê. Fora que não tê-los fortalecidos te leva a fazer xixi quando espirra por exemplo.
- Os movimentos fazem com que o bebê fique na melhor posição dentro do útero
- Condiciona a mente a concentrar-se em cada movimento, bem útil para a hora do parto
- Estimulam o bebê
- A partir de 20 semanas de gestação o bebê já consegue curtir músicas. Já se é sabido que recém-nascidos se acalmam ao ouvirem as mesmas músicas que ouviam quando estavam dentro da barriga. 

Para quem quiser dar uma olhada, achei no Youtube os vídeos abaixo, com uma professora ensinando alguns movimentos básicos e técnicas de respiração (em inglês, mas é só copiar os movimentos. Também existem vários outros, é só pesquisar):


Se quiserem me encontrar, já sabem, estarei em casa dançando! =]