quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

PARA 2016

Em junho de 1997, a colunista Mary Schmich escreveu um discurso hipotético para graduandos, e fez o maior sucesso. O texto ganhou traduções, músicas e livros. Hoje, 18 anos depois, ele continua sendo 100% verdadeiro. Um texto simples, belo, que eu levo comigo sempre, na tentativa de realmente aprender essas sábias palavras. Mary, peço licença para usar o seu texto aqui (na versão em português feita pelo Pedro Bial), colocando meus próprios comentários para o que já aprendi e o que quero para o próximo ano.

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Nunca deixem de usar o filtro solar
Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro seria esta:
Usem o filtro solar! (ainda mais na Austrália!)
Os benefícios a longo prazo do uso de filtro solar estão provados e comprovados pela ciência
Já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante
Mas agora eu vou compartilhar esses conselhos com vocês...

Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da juventude.
Ou, então, esquece...
Você nunca vai entender mesmo o poder e a beleza da juventude até que tenham se apagado.
Mas pode crer, daqui a vinte anos você vai evocar as suas fotos
E perceber de um jeito que você nem desconfia, hoje em dia, quantas, tantas alternativas se escancaravam a sua frente
E como você realmente tava com tudo em cima
Você não tá gordo, ou gorda (nunca me achei magra, até perceber, junto com minhas amigas, o quão magras e gostosas nós éramos na adolescência. Ahh se eu tivesse a maturidade e a visão de agora naquela época, não teria passado tanto tempo fugindo do espelho!)

Não se preocupe com o futuro. Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que preocupação
É tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar resolver uma equação de álgebra.
(Meta para 2016. Não, esquece, com meu filho nascendo eu nunca mais deixarei de me preocupar)

As encrencas de verdade da sua vida tendem a vir de coisas que nunca passaram pela sua cabeça preocupada 
E te pegam no ponto fraco às 4 da tarde de um terça-feira modorrenta
Todo dia, enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade. (Não tenho tantos medos assim. Mas tento vencê-los sempre que possível. Acho que desde sempre)
Cante. (Ahhh faço muito isso. Tenho cantado mais ainda por causa do Leo. Mas minha meta para 2020 é fazer aula de canto)

Não seja leviano com o coração dos outros. (Já fui. Aprendi a lição)
Não ature gente de coração leviano. (Aturei, e muito. Não sei se aprendi a lição, mas acredito que hoje em dia já não daria trela)
Use fio dental. (Chato pra caramba, mas uso)
Não perca tempo com inveja. (Uma boa meta)
Às vezes se está por cima,
Às vezes por baixo. (E teria graça se fosse diferente?)
A peleja é longa e, no fim, é só você contra você mesmo. (Já aprendi que minha pior inimiga sou eu mesma. Minha meta é me amar mais)
Não esqueça os elogios que receber. (Jamais) Esqueça as ofensas.
Se conseguir isso, me ensine. (A mim também)
Guarde as antigas cartas de amor. (Todas estão guardadas para quando eu for velhinha)
Jogue fora os extratos bancários velhos. (Feito!)
Estique-se. (Com a minha coluna e meus joelhos?! Todo dia, do contrário não saio da cama!)

Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida.
As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam,
Aos 22, o que queriam fazer da vida.
Alguns dos quarentões mais interessantes que conheço ainda não sabem.
(Ontem eu queria ser professora e ter minha empresa. Hoje quero ser blogueira e escritora. Amanhã? Conto quando souber!)
Tome bastante cálcio. (Feito!)
Seja cuidadoso com os joelhos.
Você vai sentir falta deles. (Nem preciso comentar)

Talvez você case, talvez não.
Talvez tenha filhos, talvez não.
Talvez se divorcie aos 40, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante. (Acho que essa última não vai rolar, mas anyway...)
Faça o que fizer, não se auto congratule demais, nem seja severo demais com você. (Desde o começo da gravidez eu tenho me congratulado mais. Não ser severa demais comigo mesma? Meta!)

As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo, é assim pra todo mundo.
Desfrute de seu corpo, use-o de toda maneira que puder, mesmo!
Não tenha medo do seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele
É o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir.
Dance! Mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto. (Todo dia!)
Leia as instruções, mesmo que não vá segui-las depois. (Todas. De qualquer coisa)
Não leia revistas de beleza, elas só vão fazer você se achar feio! (Parei com isso faz um tempo. Foi difícil, mas consegui colocar na cabeça que o $ e o photoshop são poderosíssimos demais)

Dedique-se a conhecer os seus pais. (Todo dia. Até quando puder)
É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez.
Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passado
E possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro. (Às vezes é difícil. Mas um dia a gente consegue levar isso 100%)
Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns poucos e bons. (Feito)

Esforce-se de verdade pra diminuir as distâncias geográficas e de estilos de vida. (A tecnologia hoje ajuda bem mais que 18 anos atrás)
Porque quanto mais velho você ficar, mais você vai precisar das pessoas que conheceu quando jovem
More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer. (São Paulo, feito)
More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer. (Queensland, chegarei lá!)
Viaje. (Preciso fazer isso mais vezes)

Aceite certas verdades inescapáveis: os preços vão subir, os políticos vão saracotear, você, também, vai envelhecer. E quando isso acontecer.. (pensar em envelhecer dói)
Você vai fantasiar que quando era jovem os preços eram razoáveis, (Já faço isso!)
Os políticos eram decentes e as crianças respeitavam os mais velhos.
Respeite os mais velhos. (Sempre) E não espere que ninguém segure a sua barra. (Aprendendo)
Talvez você arrume uma boa aposentadoria privada,
Talvez case com um bom partido, mas não esqueça que um dos dois pode de repente acabar. (É bom ter isso em mente)

Não mexa demais nos cabelos, senão quando você chegar aos 40, vai aparentar 85. (Gosto demais dele para ficar mexendo)
Cuidado com os conselhos que comprar, mas seja paciente com aqueles que os oferecem.
Conselho é uma forma de nostalgia.
Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo,
Repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.


Mas no filtro solar, acredite!

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Espero que vocês leiam, reflitam e estipulem seus objetivos para 2016. Estipular metas e alcançá-las é uma das coisas que eu mais gosto de fazer. Feliz Ano Novo! =)
*estarei mais velha no próximo post...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

MENINO OU MENINA? MÉTODOS CASEIROS

Não, gente, ainda não enlouqueci completamente e esqueci que já contei para vocês que estou esperando meu príncipe Leo chegar em abril. Como estamos na véspera da véspera de Natal (e meu primeiro dia de férias), resolvi escrever um post mais light e divertido.

Uma das primeiras dúvidas que aparece quando a futura mamãe descobre que está grávida é "será que é menino ou menina?", e essa dúvida se estende não só aos familiares e amigos, mas a toda e qualquer pessoa que pare para conversar sobre a gravidez. Eu realmente não sei como algumas pessoas conseguem manter segredo, ou simplesmente decidem não saber o sexo até o bebê nascer. 

Enquanto o ultrassom das 20 semanas não chega, a grande maioria das mulheres vai atrás de métodos menos confiáveis, mas que não deixam de ser divertidos. É bom saber que nenhum desses métodos deve ser levado à risca. Você só terá 100% de certeza quando o seu bebê nascer. Você também pode ter quase isso de certeza com o ultrassom (que demora a chegar) ou com a sexagem fetal, que é um exame que busca indícios do cromossomo Y no sangue materno (pode ser feito a partir de 8 a 9 semanas, mas custa caro). Então por favor, não saiam pintando o quartinho do bebê e comprando roupinhas de acordo com o sexo que saiu no resultado desses métodos caseiros. Levem isso como uma brincadeira para passar o tempo enquanto a certeza vem. 

TESTE DE FARMÁCIA

Hoje em dia você pode comprar teste de farmácia para saber se está grávida, ovulando e até se está esperando um menininho ou uma menininha. Pois é, a tecnologia avança rápido. O teste pode ser feito com 10 semanas de gestação. Com uma probabilidade de acerto de mais ou menos 80% (segundo o fabricante), o grande problema desse teste é encontrá-lo. Tentei, mas não achei.

FORMATO DA BARRIGA

Dizem que barriga pontuda = menino e barriga redonda = menina. Na verdade o formato da barriga depende do biotipo da mulher, tônus muscular, tamanho e peso do bebê. Mas, minha barriga está um pouco mais pontudinha. 

Acertos 1

TABELA CHINESA

Diz a lenda que uma tabela chinesa, de mais de 700 anos, consegue prever com 99% de certeza o sexo do bebê, de acordo com a idade lunar da mãe e do mês da concepção. A idade lunar é calculada com a idade + 1 para mulheres nascidas entre março e dezembro. Para as que nasceram em janeiro ou fevereiro, não existe essa soma. Minha idade lunar (como nasci em janeiro e engravidei com 29 anos, minha idade lunar é 29) e o mês da concepção (julho) na tabela:


Acertos 2

BRINCADEIRA DO TALHER

Alguém deve colocar um garfo e uma colher embaixo de cada almofada. Sem saber qual talher está embaixo de qual almofada, a futura mamãe deve sentar-se em uma delas. Sentou-se na almofada com a colher = menina / almofada com o garfo = menino. Eu sentei na almofada com o garfo.

Acertos 3

PALMA DA MÃO

Esse a grávida não pode conhecer. Alguém pede para ela mostrar a mão. Mostrou a palma da mão para cima = menino / para baixo = menina. A não ser que me peçam para ver minhas unhas ou anel, eu mostro a palma da mão. 

Acertos 4

IDADE DOS PAIS

Dizem que somando a idade da mãe com a idade do pai e subtraindo 1, se o resultado for par = menino / ímpar - menina. Eu (29) + Otávio (29) - 1 = 57.

Acertos 4 x Erros 1

TESTE DA AGULHA OU ALIANÇA

Esse pode ser feito de duas formas: pegue uma agulha ou aliança pendurada em uma linha (também já ouvi para ser feito com um fio de cabelo da mãe) e deixe-a quieta em cima da palma da mão ou da barriga. Se a agulha começar a rodar = menina / balançar de frente para trás = menino. Fiz as duas opções, em ambas a agulha rodou.

Acertos 4 x Erros 2

TESTE DO BATIMENTO CARDÍACO

De acordo com o primeiro ultrassom do bebê, se o batimento cardíaco estiver acima de 150 bps = menina / abaixo = menino. Meu bebê estava bem acelerado, com 170 bps.

Acertos 4 x Erros 3

TESTE DO BICARBONATO DE SÓDIO

A mãe deve colher a primeira urina do dia num copo com um pouco de bicarbonato de sódio. Caso forme espuma na mistura = menino / sem espuma = menina. Não fiz esse teste, então o placar continua o mesmo.

PELE

Dizem que se a mamãe estiver com uma pele bonita, sem acne ou marcas = menino, do contrário = menina (li bastante que seria porque a menina rouba a beleza da mãe). Eu já tive mais espinhas em 5 meses de gestação do que minha vida todinha.

Acertos 4 x Erros 4

DOCE OU SALGADO

Se a grávida estiver com mais vontade de doces = menina / salgados = menino. Eu sinto vontade de doces, mas porque sempre fui uma formiga. Desde quando engravidei, os doces não me caem tão bem. Sinto mais vontade de comida, carnes e morro de saudade de coxinha e bolinha de queijo!

Acertos 5 x Erros 4

TESTE DO QUEIXO

Se o queixo da futura mamãe formar uma fenda quando apertado = menina / se não aparecer = menino. No meu apareceu.

Acertos 5 x Erros 5

CALCULADORA DO BEBÊ

Faça o teste aqui e veja o resultado. No meu caso:

"Não deu para descobrir!

Com base nas suas respostas, as pesquisas dão probabilidades iguais de você ter menino ou menina."


Bom, meu placar no final das contas ficou no empate. Ouvi bastante que a mãe sempre sabe lá no fundo a resposta. Eu sabia desde o começo que era um menino por causa do meu lado bióloga, que aprendeu o seguinte:

O espermatozóide que carrega o cromossomo Y (menino) é mais rápido, mas sobrevive menos tempo. O que carrega somente cromossomo X (menina) demora mais pra chegar, mas sobrevive mais tempo no corpo feminino. *Muito tem a ver com homens e mulheres, não?! Se a mãe souber o dia da concepção e o dia da ovulação, dá pra saber o sexo do bebê, antes mesmo de chegar na oitava semana: se a relação foi feita antes do dia mais fértil, será uma menina. Se foi no dia da ovulação ou até uns 2 dias depois, será um menino. 

Posso dizer que foi angustiante e divertido ficar tentando adivinhar, e ver quem achava que era o que. Pouquíssimas pessoas ao meu redor acertaram, mas acho que foi porque eu sempre quis uma menininha. Grávidas, se fizerem os testes, me falem os resultados! =)

Um FELIZ NATAL cheio de abraços carinhosos e sinceros para todos vocês.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

MEU MUNDO ROSA FICOU AZUL

Tenho experiência em dar banho, trocar fralda e cuidar de bebês, tive 5 primas para me ajudar a ter isso no currículo. Sempre gostei de rosa, bonecas, laços e fitas, comédias românticas e contos de fadas. Tenho um afilhado, mas a (curtíssima) semana que passei com ele não me deu experiência suficiente para saber cuidar de um menino. Por ter uma enorme afinidade com meninas, nunca me imaginei com um filho. Sempre me vi penteando os cabelos compridos das minhas filhas, fazendo tranças e maria chiquinha, ensinando o divertido mundo do Grease e Mamma Mia. 

Desde quando eu descobri que estava grávida, isso mudou. Eu tinha certeza que estava esperando um menino. E com essa certeza veio o medo de me sentir decepcionada por não ser a menina que eu sempre sonhei. Como boa filha de psicóloga que sou, tratei de começar a colocar na minha cabeça as partes boas de se ter um príncipe. Li bastante sobre mamães que não conseguem aceitar a realidade e acabam sentindo culpa por isso. Também li muita coisa na internet sobre "maneiras de engravidar de uma menina" ou vice versa e só me fez comprovar o quanto eu não concordo com isso. 


Fiz meu segundo ultrassom no único médico em Melbourne (que eu saiba) que conta o sexo do bebê com 12 semanas de gestação (o porquê ficará para um próximo post), a curiosidade estava grande! Fui sabendo que era um menino, mas com esperança do médico falar o oposto. A resposta estava bem clara na tela da tv onde eu via o meu bebê. Eu estava chorando, mistura de emoção em ver o meu maior presente com a decepção de realmente não ser minha princesa. Saí de lá com o maior peso na consciência que já senti. Não queria meu bebê sentindo-se rejeitado, eu já o amava mais do que o Elton John cantando Your Song pra mim logo depois de um show inteirinho do Queen (com Freddy, claro) numa montanha de chocolate só minha.


A primeira coisa que eu fiz para me curar disso tudo foi fazer compras para o meu príncipe. A partir daí foi natural, passei a me encantar mais com os meninos que eu via pelas ruas da cidade, comecei a achar a maior graça nas roupinhas fofas feitas para eles e fui aceitando a minha nova realidade. 


Depois de 2 meses (gente, eu não imaginei que fosse passar rápido desse jeito!) agendamos o ultrassom que iria nos confirmar, sem dúvidas, o que já sabíamos. No caminho para a clínica eu me abri para o meu marido e disse algo que eu nunca achei que fosse sentir. Eu disse que, se no final das contas fosse a nossa menininha que tanto sonhamos, eu ia me sentir triste. Não por ganhar minha companheira (que ainda quero e muito), mas por perder o príncipe que eu passei esses meses amando, cada dia mais e mais. 


Não sei nem por onde começar a cuidar de um menino mas, assim como todo o resto que passei e estou passando esse ano, eu vou aprender. Estamos te esperando ansiosamente, Leo!


*as coisas "típicas" de meninas foram mencionadas por uma questão cultural na qual eu cresci. Hoje sou uma mulher com minhas próprias crenças que, muitas vezes, não seguem a cultura do nosso país (ou da época na qual vivemos). Um post está sendo desenvolvido sobre essa questão também. 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

RECAÍDA

Semana passada eu entendi as pessoas que precisam tomar remédio para alguma doença psicológica, param de tomar porque estão sentindo-se melhores e acabam piorando novamente.

Eu já vi casos assim e sempre me perguntei (e perguntei para a minha mãe, que é psicóloga) o porquê da pessoa parar de tomar o remédio, sabendo que precisa dele. Eu nunca consegui me dar uma resposta com a qual eu concordasse e nunca consegui aceitar a resposta da minha mãe: "porque eles sentem-se melhores e sentem que não precisam mais do remédio". Eu não conseguia entender, a pessoa sabe que tem uma doença, sabe que precisa do remédio, mas simplesmente para de tomar.


Para melhorar da depressão eu resolvi tomar algumas providências: voltei a fazer terapia, passei a trabalhar meio período só (e meu chefe colocou outra recepcionista para dividir as tarefas comigo), comecei esse blog e estou me dando mais tempo para cuidar de mim e das coisinhas do meu bebê. Com tudo isso eu passei a me sentir bem melhor, embora não 100%. Eu não tive mais episódios de não conseguir sair da cama, sentir desespero de ter que ir para o trabalho e ter choradeiras que me deixavam sem ar. Estava curada. Comecei a pensar que na verdade não estava em depressão, mas estava sim no meu primeiro trimestre de gravidez, que é o mais complicado psicologicamente falando. Cheguei até a me sentir culpada (pra variar) por ter diminuído a carga de trabalho, o que me levou a ganhar metade do meu salário de antes. 


Na sexta-feira passada combinei de ir almoçar com algumas amigas do trabalho às 13:00, que é o horário que eu saio. Como de costume, às 12:30 eu fui para o lugar da nova recepcionista para ela poder ir almoçar (sim, temos apenas meia hora de almoço lá). Foi aí que o problema começou. O papel da escola estava acabando (longa história) e por isso não estávamos imprimindo coisas para os alunos, eles tinham que ir até um local a 2min de lá para poder imprimir (a gente também cobra por página, então a questão era apenas paciência de ir até lá). Só que com as aulas acabando, todos os alunos estão fazendo os trabalhos atrasados e precisam imprimir tudo para entregar. Olha, morar num lugar como a Austrália te faz não ter preconceitos com outras culturas, mas uma coisa que faz parte do perfil do indiano é não se importar se você está ocupada. Eles vem em cima de você e ficam "Excuse me, ma'am. Excuse me, ma'am. Excuse me, ma'am." e, se você continuar não respondendo, eles vem mais em cima ainda e simplesmente começam a falar o que precisam. Eu tive 3 alunos indianos fazendo isso comigo ao mesmo tempo, enquanto eu estava atendendo um asiático que mal falava inglês, e tendo que pedir pra todo mundo esperar pra eu poder atender o telefone. Quando eu expliquei que não podia imprimir os trabalhos, eles ficaram mais em cima ainda me pressionando porque era urgente. 


Ufa, só de lembrar preciso me dar um tempo. Enquanto tudo isso acontecia, minhas 3 amigas estavam na porta me esperando para irmos almoçar, mas eu não podia largar todos os alunos e sair enquanto a outra recepcionista não voltasse. Olhei no relógio, ela estava 10 minutos atrasada. Olhei no celular, uma mensagem dela avisando que ficou mais de 15 minutos esperando a comida dela, o que a fez se atrasar. Com tudo isso eu fui ficando sem ar, me sentindo completamente pressionada, precisando gritar com todo mundo sem poder. Comecei a me angustiar e sentir o choro vindo, ali mesmo na frente de todos os alunos, tentando me conter e não conseguindo mais ouvir ninguém. Passei a ficar no modo automático, atendendo o telefone, recebendo o pagamento do asiático e imprimindo os trabalhos dos indianos. Quando eu vi a recepcionista entrando, eu não consegui fazer outra coisa a não ser simplesmente levantar e entrar numa sala vazia, onde eu pude colocar o choro pra fora. 


Depois que saí de lá tive um almoço maravilhoso, consegui respirar e ficar mais tranquila. Mas percebi que a depressão tá aqui, eu preciso continuar tomando as providências para isso tudo não acontecer de novo. Ocupemos minha cabeça com o chá do bebê agora... =]

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

TER FILHO NO BRASIL X TER FILHO NA AUSTRÁLIA - Parte 2

Usarei o mesmo título para vocês saberem que é a continuação, mas como vocês sabem como funciona aí no Brasil, falarei somente daqui. Se você não leu a parte 1, clique aqui.

Para a primeira consulta na maternidade a futura mamãe recebe uma carta em casa com o dia e horário que ela deve comparecer lá. É possível ligar e reagendar essa consulta, mas como imagino que não seja tão fácil, não paguei pra ver. Eles enviam algumas informações e tudo que precisarão na consulta. Eu precisei levar o primeiro ultrassom (que foi feito com 10 semanas), exames de sangue e o exame completo de trissomia (consiste em um ultrassom com 12 semanas + exame de sangue) caso eu optasse por realizá-lo*. Esses exames foram todos pedidos pelo meu GP. Ah, eles também avisam para você se preparar para ficar na maternidade até umas 3h.

Quando cheguei achei que fosse ficar no mínimo 5h. Tantas mamães, papais, futuras mamães e futuros papais naquela sala de espera gigante, nunca imaginei que fosse ser chamada em pouco tempo. Mas fui. Quem me chamou foi uma parteira asiática pititica super fofa que, com toda delicadeza, simpatia e paciência do mundo, passou mais de 1h comigo na sala, anotando todo o meu histórico, sintomas, medos, preocupações, dúvidas... conversando comigo sobre cada ponto que estava anotado no meu caderno de perguntas. 


Meus exames estavam todos ok, assim como os do meu bebê. É sempre bom ouvir isso... ela também usou o doppler para ouvirmos o coraçãozinho batendo, o que é sempre um alívio. 


Ela me encaminhou para agendar uma consulta (que também é obrigatória) com algum médico da maternidade, e falou pra eu pegar o pedido do ultrassom das 20 semanas com o meu GP. Nessa consulta o médico certifica-se que está tudo bem com a futura mamãe e o bebê e assina se a gravidez é de risco ou não. Após o ultrassom das 20 semanas, mais uma consulta com as parteiras.


Vocês já sabem como me senti quando saí dessa consulta, mas só pra reforçar: estou sendo bem cuidada. =)


*O exame não traz risco nenhum para a mamãe e para o bebê, nem mesmo desconforto (tirando, claro, a agulha para coletar o sangue). É um ultrassom a mais onde você vê o seu bebê e fica aliviada quando tudo está ok. Esse exame eu realmente não sei como funciona aí no Brasil, mas aqui todo mundo foi bem claro dizendo que é opcional e que eles normalmente só fazem quando realmente há algum risco do bebê ter uma trissomia, o que não era o meu caso. Eu optei por realizar o exame para ver meu bebê de novo, claro. 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

DESEJOS DE GRÁVIDA

Todo mundo já ouviu falar de grávidas terem desejos estranhos. Minha mãe só pensava em cenoura durante a gravidez do meu irmão e chegou a comer uma panela todinha de pato no tucupi durante a minha.

Eu estava toda esperançosa em passar a odiar chocolate e pão, e ter desejos doidos de comer frutas, verduras e legumes. É... nem sempre a gente consegue o que quer.


A ciência ainda não conseguiu explicar o porquê das grávidas terem desejos, mas sabemos que eles são reais. Muitos acreditam que os desejos originam-se da falta de algum nutriente no organismo da mamãe. Seguindo isso, aquelas que sentem desejo por gelo ou tijolo, por exemplo, estariam com falta de ferro (gente, esse desejo por coisas não alimentícias acontece tanto que até virou uma síndrome chamada picamalácia). A falta de magnésio levaria a mamãe a querer chocolate e a falta de proteína levaria ao desejo de comer carne vermelha. Tem muita mulher por aí com falta de magnésio no organismo (já eu estou seriamente precisando de proteína)...


Outras pessoas dizem que é tudo culpa dos benditos hormônios. Eles seriam os responsáveis por mudar o paladar da grávida e fazê-la passar a comer coisas que não comia antes, e/ou deixar de comer coisas que adorava. 


Eu era campeã em comer pipoca no jantar. Não mais, o bebê definitivamente não aceita isso. Minha refeição preferida sempre foi o café da manhã, sou até conhecida como a menina do pão na chapa e Toddy, mas meu bebê fez minha refeição preferida passar a ser o almoço, que é quando eu posso comer comida de verdade. Apesar de ter escolhido ser australiano, ele tem muito sangue brasileiro! Sonho muito em comer um PF todinho de arroz, feijão, bife, ovo e batata frita (dica de presente pra Thelma: mandar pelo correio um pacote de arroz e um de feijão de 2kg cada). 


A vida na Austrália e a gravidez fizeram eu me tornar uma pessoa muito mais saudável e eu sou muito grata por isso. Mas infelizmente o bebê também não gosta de frutas...

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

A QUIETUDE DA INQUIETA

Sou fã de começos. Acredito que tudo na vida e nas pessoas esteja interligado. Sou o tipo de pessoa que no meio de uma briga fala: "mas o problema não é esse, é que isso acontece por causa de um motivo maior..." e meu marido pode comprovar isso. Você pode passar horas me falando os meus defeitos, qualidades e atitudes e, juro, eu serei capaz de ligar absolutamente tudo a um dos meus maiores problemas: a inquietude. 

Não sou a melhor pessoa com términos. Meus ex podem confirmar, mesmo aqueles com quem eu terminei. Levo isso para tudo que faço. Sou extremamente criativa, amo artesanato, minha casa sempre foi cheia de sucata e linhas e lãs porque eu e minha mãe sempre fomos partidárias do "um dia usarei isso para alguma coisa". O pior é que sempre que decidíamos jogar algo fora ou doar, achávamos um uso para aquilo na semana seguinte. Bendito Murphy.


Quando vejo algo que gosto já começo a pensar como criar um sozinha. Quando tenho alguma ideia já me sinto mega ansiosa para colocá-la em prática. O problema é que eu nunca termino o que começo. Tenho uns 4 scrapbooks, 1 mural de fotos, 1 cachecol e algumas ideias que estão esperando a minha atenção... dia após dia. 


O meu maior problema com a depressão não é o choro, a preocupação, o não ter vontade de sair da cama ou o medo. Meu maior problema é ter tempo, coisas para fazer, vontade, e mesmo assim não conseguir. Sou muito a favor de tirarmos um dia de vez em quando para não fazermos nada, principalmente as grávidas, mas eu tenho passado a maior parte do meu tempo sentada olhando para o nada. No máximo para a TV, sem conseguir prestar muita atenção. Eu me sinto TÃO frustrada com isso, depois que o bebê nascer eu não terei todo esse tempo. =/


Bom... pelo menos tenho conseguido ler e escrever! E com isso acabo tendo uma gravidez mais tranquila. =]

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

TER FILHO NO BRASIL X TER FILHO NA AUSTRÁLIA

Uma coisa assustadora: engravidar no exterior sem saber como todo o sistema funciona. Eu tive tempo de começar a pesquisar, mas o bebê quis vir logo, então estou aprendendo na pratica.

Basicamente no Brasil tudo é mais monitorado e na Austrália tudo é mais natural. Ambos tem seu lado bom e seu lado ruim.

No Brasil eu estaria tendo um pré-natal pago pela assistência médica particular, tendo consultas periódicas de acordo com a agenda lotada da minha (ex) obstetra/ginecologista que eu adorava e confiava de olhos fechados... passaria por não sei quantos ultrassons, ainda estaria fazendo fisioterapia e sendo acompanhada pela minha ortopedista, que eu também adorava e confiava de olhos fechados, por causa da minha coluna.

Na Austrália eles não ficam "cutucando" a futura mamãe e não existe mimimi. Gravidez definitivamente não é doença, é um processo natural e lindo. Isso não quer dizer que as mamães ficam soltas sem serem cuidadas. 

Uma das primeiras coisas que eu queria fazer quando chegasse aqui era ir atrás de uma assistência médica particular. Por conta da carência de 1 ano para gravidez, nós dois começamos a pesquisar e sair perguntando pra todo mundo como o Medicare (SUS daqui) funciona e se é realmente bom. Quando optamos pelo sistema público, o bebê já estava conosco sem sabermos, então não teria dado tempo de qualquer maneira. 

Até mais ou menos 20 semanas de gestação (eu fui chamada antes na maternidade, com 16 semanas) toda grávida faz o acompanhamento com o seu GP (General Practitioner) que é o clínico geral. Ele é quem encaminha a paciente para fazer os exames ou para algum especialista, caso necessário. Ele também é o responsável por pedir os exames ginecológicos de rotina. Ele encaminha a futura mamãe para a maternidade mais próxima de onde ela mora, caso a gravidez não seja de risco. Em sendo de risco ela vai automaticamente para o Royal Women's Hospital, que será onde o meu bebê vai nascer porque é a maternidade mais próxima de onde eu moro (ou seja, sem pagar nada eu terei o meu bebê na melhor maternidade da cidade!). A partir de 20 semanas o acompanhamento é feito pelas midwives (parteiras) da maternidade. Aí é que entra o 'problema' pra muita gente...

Esse tema será muito abordado aqui, mas como é extremamente longo, eu dividirei em muitos posts. Por enquanto fico por aqui, dizendo pra vocês que apesar do medo de muita gente (inclusive meu) com relação ao sistema público e parto natural e tal... eu estou sendo super cuidada, mesmo não sendo monitorada todo mês. Eu e o bebê estamos muito bem. =]

terça-feira, 3 de novembro de 2015

A IMIGRAÇÃO

Ouvi de muita gente que sou extremamente corajosa, doida, que jamais conseguiriam deixar tudo e todos para trás e começar uma vida nova do outro lado do mundo. Para isso eu sempre tive a mesma resposta, o meu maior motivo para fazer essa loucura: "eu quero poder dar uma vida melhor para os meus filhos". Eu sei (e sinto na própria pele) que essa não é uma decisão fácil de ser tomada, mas para os que não entendem, tentarei explicar como cheguei aqui.

Assim como a maioria das pessoas, venho de uma família de imigrantes. 3 dos meus 4 avós saíram de Portugal e foram procurar uma vida melhor no Brasil. 2 deles nunca olharam para trás. Construíram uma vida e uma família e deixaram seu passado na Europa. Os que conheceram minha avó Teresa sabem que não existiu nesse mundo alguém mais família que ela. Só ela conseguia juntar a família toda (e as famílias do outro lado da família) e ainda manter contato com toda a família que ela deixou em Portugal - sem internet! Minha avó não era fácil, mas ela conseguia trabalhar fora (e muito!), cuidar da casa toda sozinha, cuidar do marido e ainda dar atenção, acompanhada de um banquete, para todo mundo... com a unha sempre feita.

Tenho família no Brasil, em Portugal, na Alemanha e na Austrália. Meus pais sempre entenderam essa vontade minha e do meu irmão, a busca por uma vida melhor está no nosso sangue. O que posso falar para vocês é que eu nem pensei (ou tive que pensar) muito para tomar essa decisão. Eu sempre quis que meus filhos tivessem duas línguas maternas e segurança para poder brincar em um parque aberto.

Claro que me sinto triste em pensar que não verei minha afilhada se formar, meu afilhado nunca vai lembrar de já ter dormido nos meus braços, ninguém está tendo o prazer de ver minha barriga crescer e eu não estou tendo o prazer de ser paparicada pessoalmente. Amo minha família e meus amigos, mas pensar que meus filhos terão uma educação de verdade, respirando um ar puro num lugar seguro... não tem preço.

A decisão veio naturalmente antes mesmo do Otávio aparecer na minha vida e dividir esse plano comigo. E, gente, poder passar por uma gravidez 'tranquila' sem o medo de sofrer abuso médico além de todos os medos naturais, sem ter que esperar 1 mês por uma consulta ou 3h no pronto socorro tendo assistência médica particular paga em dia... sem palavras, né?

Não é fácil, não está sendo nada fácil. Eu provavelmente não estaria passando por essa depressão se estivesse aí (ou talvez a depressão seria outra), mas, além de eu não me arrepender de nada, pretendo construir toda uma vida e uma família aqui, me espelhando nas melhores mulheres que conheço.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

PRIMEIRA CONSULTA NA MATERNIDADE - dia difícil

Depois do dia de hoje decidi não começar pelo começo. E também não falarei hoje sobre como funciona o pré-natal aqui. Então vamos ao desabafo...

Sempre fui um tanto quanto desastrada e esquecida. Já quebrei e perdi incontáveis coisas durante minha vida. Já ouvi que é porque eu sou descuidadosa e não ligo para as coisas, mas eu não sou assim só com coisas materiais, eu também vivo me machucando. E eu ligo muito para mim mesma! Afinal, sou eu que fico sentindo dor depois de me bater sem querer no batente da porta.

Seja lá qual for o motivo, eu já gastei uma bela grana com celulares por causa dessa minha característica. Em 4 meses de Austrália, estou no terceiro celular. Comprei um novo quando cheguei e encostei o meu antigo. Perdi o novo (e quem achou não era uma pessoa boa - ou inteligente), peguei o antigo de novo. Ontem ele caiu do meu bolso e eu só percebi quando estava chegando em casa. Um bom samaritano achou ele caído na rua, em pedaços, após um carro passar por cima. Recuperei as fotos e vídeos, mas o bolso (que está arcando com casa nova, bebê a caminho, mães vindo passar alguns meses, e possível viagem) não ficou feliz.

Eu tenho plena consciência de que um bebê é completamente diferente de bens materiais, ou até mesmo do meu próprio corpo, fora que eu cuido de bebês desde os meus 10 anos de idade e nunca machuquei nenhum deles... mas hoje de manhã o meu medo e os pensamentos negativos falaram mais alto do que o meu conhecimento, e me fizeram ficar em posição fetal (ou bolinha - hahaha - ainda preciso pesquisar por que instintivamente ficamos em posição fetal quando não estamos bem... até consigo imaginar a ligação física e psicológica, mas irei atrás da ciência) chorando e soluçando sem ar. Não quero assustar e preocupar mais ainda meus amigos e familiares, mas acho importante descrever aqui o que acontece. Um pensamento puxa outro e eu acabei com as seguintes coisas na minha cabeça:

- "sendo o desastre que eu sou, vou acabar machucando o meu bebê, a ponto de não poder ficar sozinha com ele. Ou pior, esquecê-lo em algum lugar."
- "isso vai me levar à depressão pós-parto e eu não conseguirei MESMO cuidar do meu bebê."
E, como sempre:
- "já estou fazendo mal para o meu bebê, afinal ele sente tudo que eu sinto e no momento ele só consegue sentir meu desespero e choro!"

Tudo isso antes das 9h da manhã. Bom, com um empurrão do Otávio e do bebê, fui para a maternidade com o meu caderninho cheio de perguntas. Em mais ou menos 2h de consulta, a fofa da midwife (parteira) anotou os resultados de todos os meus exames até agora na minha ficha, me deu lição de casa para ler, ouviu tudo que eu precisava falar e respondeu todas as minhas perguntas pacientemente. Eu até ganhei uma bolsinha com coisinhas dentro depois que falei que pretendo sim amamentar! <3

Eu passei o resto do dia como normalmente fico nos dias ruins da depressão: sentindo medo, tristeza por estar fazendo meu bebê sentir essas coisas ruins que eu estou sentindo, o corpo não consegue se mexer pra fazer nada... mas agora eu já começo a lutar, consigo não me jogar na cama e ficar lá na minha bolinha pra sempre, e até consigo fazer algumas coisas, mesmo que bem pouco.

Com relação à depressão, a midwife fofa me deixou com os seguintes conselhos:

- continuar fazendo o que estou fazendo: falar/escrever sobre, diminuir o stress e o horário no trabalho, conversar com o bebê, repousar quando as dores físicas estiverem fortes e ir devagar com tudo.
- ir atrás de hypnobirthing (vamos ver)
- afastar os pensamentos negativos e focar no quão sortuda eu sou, afinal tanta gente tenta e espera muito tempo pela imigração, emprego, gravidez...



segunda-feira, 19 de outubro de 2015

NOVA MULHER, NOVA VIDA, NOVO BLOG

Eu gostaria de começar pedindo desculpa às minhas amigas. Um dos sintomas da depressão é o sentimento de culpa, e me abrir com o "mundo" antes de me abrir com as minhas amigas me faz ter esse sentimento. O que posso dizer é que vocês compreenderão.

Eu sempre fui uma pessoa fechada. Sou ótima ouvinte, o que me faz ser a psicóloga até do desconhecido no elevador, mas na hora de me abrir... abrir de verdade, confessar fraquezas e dores, esquece. Minha mãe e meu marido são os que sabem mais sobre o que estou passando, mas os meus maiores medos e tristezas eu guardo em qualquer cantinho que eu tenha dentro de mim mesma, pra ninguém conseguir chegar perto. Mas agora tudo mudou, agora eu tenho uma pessoinha dentro de mim que tem acesso à todos esses sentimentos, mas ao invés de entendê-los e me confortar, essa pessoinha pode acabar sendo prejudicada. 

A culpa (olha ela aí de novo) de correr o risco de machucar o meu bebê foi o que me fez ir atrás de descobrir o que estava acontecendo comigo e pedir ajuda. Eu sou extremamente orgulhosa e minha vida inteira eu fui o tipo de pessoa que jamais demonstra precisar de ajuda. Isso, pra mim, era sinal de fraqueza e eu tinha que ser a pessoa mais forte do mundo. Felizmente eu fiz a escolha a certa e admitir a doença e a necessidade de ajuda está sendo bom. 

Não irei falar somente sobre a depressão na gravidez, também contarei toda a jornada de adaptação na minha nova cidade, como funciona o sistema público e toda a gravidez/parto aqui do outro lado do mundo e também sobre mim. 

Cheers, mate! =]