Tenho experiência em dar banho, trocar fralda e cuidar de bebês, tive 5 primas para me ajudar a ter isso no currículo. Sempre gostei de rosa, bonecas, laços e fitas, comédias românticas e contos de fadas. Tenho um afilhado, mas a (curtíssima) semana que passei com ele não me deu experiência suficiente para saber cuidar de um menino. Por ter uma enorme afinidade com meninas, nunca me imaginei com um filho. Sempre me vi penteando os cabelos compridos das minhas filhas, fazendo tranças e maria chiquinha, ensinando o divertido mundo do Grease e Mamma Mia.
Desde quando eu descobri que estava grávida, isso mudou. Eu tinha certeza que estava esperando um menino. E com essa certeza veio o medo de me sentir decepcionada por não ser a menina que eu sempre sonhei. Como boa filha de psicóloga que sou, tratei de começar a colocar na minha cabeça as partes boas de se ter um príncipe. Li bastante sobre mamães que não conseguem aceitar a realidade e acabam sentindo culpa por isso. Também li muita coisa na internet sobre "maneiras de engravidar de uma menina" ou vice versa e só me fez comprovar o quanto eu não concordo com isso.
Fiz meu segundo ultrassom no único médico em Melbourne (que eu saiba) que conta o sexo do bebê com 12 semanas de gestação (o porquê ficará para um próximo post), a curiosidade estava grande! Fui sabendo que era um menino, mas com esperança do médico falar o oposto. A resposta estava bem clara na tela da tv onde eu via o meu bebê. Eu estava chorando, mistura de emoção em ver o meu maior presente com a decepção de realmente não ser minha princesa. Saí de lá com o maior peso na consciência que já senti. Não queria meu bebê sentindo-se rejeitado, eu já o amava mais do que o Elton John cantando Your Song pra mim logo depois de um show inteirinho do Queen (com Freddy, claro) numa montanha de chocolate só minha.
A primeira coisa que eu fiz para me curar disso tudo foi fazer compras para o meu príncipe. A partir daí foi natural, passei a me encantar mais com os meninos que eu via pelas ruas da cidade, comecei a achar a maior graça nas roupinhas fofas feitas para eles e fui aceitando a minha nova realidade.
Depois de 2 meses (gente, eu não imaginei que fosse passar rápido desse jeito!) agendamos o ultrassom que iria nos confirmar, sem dúvidas, o que já sabíamos. No caminho para a clínica eu me abri para o meu marido e disse algo que eu nunca achei que fosse sentir. Eu disse que, se no final das contas fosse a nossa menininha que tanto sonhamos, eu ia me sentir triste. Não por ganhar minha companheira (que ainda quero e muito), mas por perder o príncipe que eu passei esses meses amando, cada dia mais e mais.
Não sei nem por onde começar a cuidar de um menino mas, assim como todo o resto que passei e estou passando esse ano, eu vou aprender. Estamos te esperando ansiosamente, Leo!
*as coisas "típicas" de meninas foram mencionadas por uma questão cultural na qual eu cresci. Hoje sou uma mulher com minhas próprias crenças que, muitas vezes, não seguem a cultura do nosso país (ou da época na qual vivemos). Um post está sendo desenvolvido sobre essa questão também.
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