quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

RECAÍDA

Semana passada eu entendi as pessoas que precisam tomar remédio para alguma doença psicológica, param de tomar porque estão sentindo-se melhores e acabam piorando novamente.

Eu já vi casos assim e sempre me perguntei (e perguntei para a minha mãe, que é psicóloga) o porquê da pessoa parar de tomar o remédio, sabendo que precisa dele. Eu nunca consegui me dar uma resposta com a qual eu concordasse e nunca consegui aceitar a resposta da minha mãe: "porque eles sentem-se melhores e sentem que não precisam mais do remédio". Eu não conseguia entender, a pessoa sabe que tem uma doença, sabe que precisa do remédio, mas simplesmente para de tomar.


Para melhorar da depressão eu resolvi tomar algumas providências: voltei a fazer terapia, passei a trabalhar meio período só (e meu chefe colocou outra recepcionista para dividir as tarefas comigo), comecei esse blog e estou me dando mais tempo para cuidar de mim e das coisinhas do meu bebê. Com tudo isso eu passei a me sentir bem melhor, embora não 100%. Eu não tive mais episódios de não conseguir sair da cama, sentir desespero de ter que ir para o trabalho e ter choradeiras que me deixavam sem ar. Estava curada. Comecei a pensar que na verdade não estava em depressão, mas estava sim no meu primeiro trimestre de gravidez, que é o mais complicado psicologicamente falando. Cheguei até a me sentir culpada (pra variar) por ter diminuído a carga de trabalho, o que me levou a ganhar metade do meu salário de antes. 


Na sexta-feira passada combinei de ir almoçar com algumas amigas do trabalho às 13:00, que é o horário que eu saio. Como de costume, às 12:30 eu fui para o lugar da nova recepcionista para ela poder ir almoçar (sim, temos apenas meia hora de almoço lá). Foi aí que o problema começou. O papel da escola estava acabando (longa história) e por isso não estávamos imprimindo coisas para os alunos, eles tinham que ir até um local a 2min de lá para poder imprimir (a gente também cobra por página, então a questão era apenas paciência de ir até lá). Só que com as aulas acabando, todos os alunos estão fazendo os trabalhos atrasados e precisam imprimir tudo para entregar. Olha, morar num lugar como a Austrália te faz não ter preconceitos com outras culturas, mas uma coisa que faz parte do perfil do indiano é não se importar se você está ocupada. Eles vem em cima de você e ficam "Excuse me, ma'am. Excuse me, ma'am. Excuse me, ma'am." e, se você continuar não respondendo, eles vem mais em cima ainda e simplesmente começam a falar o que precisam. Eu tive 3 alunos indianos fazendo isso comigo ao mesmo tempo, enquanto eu estava atendendo um asiático que mal falava inglês, e tendo que pedir pra todo mundo esperar pra eu poder atender o telefone. Quando eu expliquei que não podia imprimir os trabalhos, eles ficaram mais em cima ainda me pressionando porque era urgente. 


Ufa, só de lembrar preciso me dar um tempo. Enquanto tudo isso acontecia, minhas 3 amigas estavam na porta me esperando para irmos almoçar, mas eu não podia largar todos os alunos e sair enquanto a outra recepcionista não voltasse. Olhei no relógio, ela estava 10 minutos atrasada. Olhei no celular, uma mensagem dela avisando que ficou mais de 15 minutos esperando a comida dela, o que a fez se atrasar. Com tudo isso eu fui ficando sem ar, me sentindo completamente pressionada, precisando gritar com todo mundo sem poder. Comecei a me angustiar e sentir o choro vindo, ali mesmo na frente de todos os alunos, tentando me conter e não conseguindo mais ouvir ninguém. Passei a ficar no modo automático, atendendo o telefone, recebendo o pagamento do asiático e imprimindo os trabalhos dos indianos. Quando eu vi a recepcionista entrando, eu não consegui fazer outra coisa a não ser simplesmente levantar e entrar numa sala vazia, onde eu pude colocar o choro pra fora. 


Depois que saí de lá tive um almoço maravilhoso, consegui respirar e ficar mais tranquila. Mas percebi que a depressão tá aqui, eu preciso continuar tomando as providências para isso tudo não acontecer de novo. Ocupemos minha cabeça com o chá do bebê agora... =]

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