quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

FALANDO COM A BARRIGA

Alguns meses atrás eu estava a caminho do meu trabalho e, enquanto andava na calçada, conversava em voz alta com o Leo, sem prestar a menor atenção ao meu redor. Ao chegar na frente do prédio, um colega olhou para mim com cara de espanto e perguntou com quem eu estava falando. A cara de espanto dele sumiu quando eu disse, com a maior naturalidade do mundo, que estava conversando com o meu bebê. Ele baixou a cabeça e entrou, com um pouco de medo da pessoa louca que fala com a  barriga. 

Eu posso ser meio doidinha, mas a verdade é que o feto começa a ouvir por volta da semana 21 de gestação. Ele não ouve as palavras, já que para que se ouça a palavra articulada é necessário que haja ar entre quem está falando e quem está ouvindo (e o bebê está no líquido amniótico); mas ouve os sons, incluindo sons externos, sons internos da mãe (como a batida do coração e a circulação do sangue) e as vozes. 

Com a memória começando a estabelecer-se no mesmo período, o bebê começa a reconhecer as vozes que ele mais ouve e acostuma-se com latidos do cãozinho da família, por exemplo. Testes, mamães, papais e médicos comprovam que o recém-nascido reconhece as vozes que ouvia quando ainda estava na barriga, e se acalmam. Por isso muitos dizem o quão importante é para os pais conversarem com a barriga da mamãe para criar esse vínculo. 

Não me importando com o fato do Leo só conseguir me ouvir a partir da semana 21, eu comecei a conversar com ele muito antes disso e percebi uma coisa muito importante... uma não, várias:

- ao conversar com ele, eu me sinto bem, mesmo que tenha sido um dia ruim e eu esteja desabafando. Ao me sentir bem, ele sente-se bem, já que o bebê sente o que a mamãe está sentindo desde o começo da gestação;

- isso me leva a sempre pensar que preciso estar me sentindo bem e calma, para que ele fique bem e tranquilo. Pensar nele e conversar com ele são duas das coisas mais eficazes para que eu me sinta bem instantaneamente;

- eu passei a me importar menos ainda com o que as pessoas pensam de mim. Aqui na Austrália é um pouco mais fácil que no Brasil, já que é cultural cuidar da sua própria vida ao invés da dos outros, mas eu realmente passei a me preocupar menos ainda se alguém passar por mim na rua e pensar que sou louca;

- o vínculo que eu e meu marido estamos criando com nosso filho cresce a cada dia. Não passamos um dia sequer sem conversar com ele e isso nos faz sentir muito conectados à ele;

- eu passei a me apaixonar mais pelo meu marido vendo-o conversando, fazendo carinho e beijando o Leo, antes mesmo dele nascer. É uma das minhas cenas preferidas. 

Imagino que muita gente sinta-se um tanto quanto estranha ao fazer isso, mas ao sentir o bebê interagindo, isso passa. O que fazer para conectar-se ao bebê:

CONVERSAR
Eu aproveito muito as minhas caminhadas para contar tudo pro Leo. Falo de cada um da família, conto o que aconteceu no dia e como todo mundo está ansioso esperando a chegada dele!

LER
Meu bebê nem nasceu ainda e já está ouvindo duas histórias: Harry Potter (na voz do papai) e O Pequeno Príncipe (na voz da mamãe). Posso dizer que ele adora esses momentos!




CANTAR
Não canto bem, nem um pouco, mas tenho um fã! Eu já fiz o teste: quando apenas ouço música, ele não se agita muito, mas quando eu começo a cantar, ele fica todo feliz. Como as pessoas na rua não merecem ficar me ouvindo cantar, eu reservo esse momento para o banho. 

Ah, uma coisa importante: provavelmente você já ouviu falar, ou leu em algum lugar, que as grávidas devem colocar músicas clássicas para o bebê ouvir. Esqueçam isso. Coloque música clássica somente se você gosta desse tipo de música. Se eu ficar um minuto ouvindo Mozart, por exemplo, ficarei completamente inquieta, o que levará o meu bebê a ficar incomodado. O importante é a futura mamãe curtir a música, assim seu bebê se sentirá bem. Melhor ainda se a dança acompanhar, embalando o pequeno. 

4 comentários:

  1. ahh, que coisa linda <3 você já tá com quantas semanas?
    não vejo a hora de começar a sentir o meu se mexer e poder me ouvir haha :)

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    1. Eu estou com 32 semanas e ele já responde bem quando conversamos e brincamos com ele. Com quantas semanas você está?
      É divertidíssimo cutucá-lo e ele chutar no mesmo ponto! =D

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  2. Pois é The, tudo pode acontecer e tudo podemos mudar na última hora. Eu tive meu Raphael com data programada e, consequêntemente, com parto cesária. Eu queria muito parto normal e todos da família (mulheres) sempre falando que não precisava passar pela dor e tudo mais... Bom,no final das contas,minha Gineco estava com datas marcadas para um congresso e isso acabou me fazendo programar o parto pois uma coisa eu queria muito: que alguém conhecido fizesse meu parto. Infelizmente aqui no Brasil já não confiamos mais nas pessoas como antes. Sei que tem um pouco de preconceito nesse meu comentário mas não queria estar em mãos de alguém que não conhecesse e tivesse confiança em trazer meu maior bem! E no final deu tudo certo. Tivemos que pagar a parte mesmo com todos aceitando o plano de saúdeque um assunto para abordar em outro momento) mas hoje não me arrependo pois ele está aqui comigo, lindo, perfeito e muito travesso. Deus abençoe seus dias. Vou te acompanhando para trocarmos mais experiências! Gostei o formato de vídeo pois com pequenos não temos muita paz para lermos... Kkkkkk. Então ouvir foi ótimo! Sucesso!

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    1. Olha, pode ser preconceito sim, mas eu não vi o seu comentário com esses olhos. Entendo 100% e com certeza se eu fosse ter o Leo aí no Brasil, faria o mesmo. Aqui não dá pra escolher, tem que ser a parteira que estiver livre na hora, mas cada time tem 10 parteiras e eu já conheci quase todas durante todo o pré-natal. O mais importante é o bebê nascer saudável e a mamãe estar bem para cuidar e curtir seu pequeno.
      Farei mais vídeos com certeza. =)
      Obrigada! E nos vemos logo...

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