quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O PORQUÊ EU QUERO UM PARTO NATURAL

Sentindo que eu precisava bater um papo ao invés de escrever, resolvi gravar meu primeiro vídeo para vocês. =D

Antes de assistirem, saibam que:

- estava ventando
- não fiz nenhuma edição, mas aprenderei para os próximos vídeos
- eu realmente me senti batendo um papo com vocês, não gravando um vídeo profissional
- vocês precisam reservar 15 minutinhos para verem até o final

Eu ficarei muito feliz em saber a opinião de vocês sobre o assunto, qual tipo de parto tiveram ou pensam em ter. Meu maior objetivo é trocar informações, medos e desejos. 

E prometo estudar gravação e edição de vídeo.





Até semana que vem, com mais um post especial! =]

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

PLACENTA PRÉVIA / PLACENTA BAIXA

Hoje eu descobri o quanto eu não quero fazer cesárea. Não tenho nada contra quem opta por esse caminho, acho que cada mãe tem que seguir o seu instinto e ouvir o seu coração (até farei posts falando sobre cada tipo de parto), mas eu não sabia o quanto eu não queria uma cesárea. 

Quando eu fiz o ultrassom na semana 20 ouvi, pela primeira vez, o termo Placenta Prévia. A ultrassonografista ficou em estado de alerta, apesar de mostrar-se bem tranquila. Ela explicou que isso significava que a minha placenta, ao invés de implantar-se na parte superior do útero, implantou-se na parte inferior, cobrindo o colo do útero. 

Após bastante pesquisa e conversas com as parteiras, fiquei um pouco mais tranquila (aparentemente), pois conforme o útero vai se expandindo, o mais comum é que a placenta acabe subindo. Mas a mente das pessoas é uma arma forte e perigosa!

A Placenta Prévia pode ser marginal (cobrindo apenas uma parte do colo do útero) ou total (cobrindo completamente o colo do útero). No caso da marginal, um parto normal ainda pode acontecer, dependendo do espaço que o bebê tem para passar. No caso da total, o bebê deverá nascer via cesariana, pois a placenta impede a entrada do bebê no canal vaginal.

Seguindo o que as parteiras pediram, hoje, com 32 semanas de gestação, foi dia de ultrassom para checar se placenta subiu. Mas meu dia começou bem antes disso! Antes das 4h da manhã, como de costume, fiz minha primeira viagem ao banheiro, já que o Leo (e todos os outros bebês) acham que a nossa bexiga é brinquedinho de apertar. Por volta das 4h30 eu acordei com tontura. Não conseguia levantar, não podia fechar os olhos. Fiquei lá, deitada e rezando para que passasse logo e eu pudesse dormir. Nada feito. Fiquei nessa tortura até meu marido acordar (eu já tinha decidido não ir trabalhar, logo no terceiro dia que eu voltei das férias) e eu poder levantar com ele. 

Eu já tinha lido que tonturas podem ocorrer no terceiro trimestre de gravidez, pois o bebê e os órgãos acabam apertando os vasos sanguíneos. Mas passar 8h tendo tontura não pode ser uma coisa normal. Fui para o hospital (onde meu pré-natal está sendo feito e onde o ultrassom estava agendado), avisei a recepcionista que eu já estava lá para fazer o ultrassom e que estava com tontura desde a madrugada. Uma enfermeira me levou para dentro onde eu pude sentar para ela medir minha pressão (que estava completamente normal) e já me colocar na sala do ultrassom. Em 5 minutos a ultrassonografista já estava dentro da sala me preparando.

O ultrassom não foi fácil. Ela começou pelo abdominal, disse que achava que estava tudo ok com a placenta, checou o Leo todinho e saiu para mostrar as imagens para a supervisora dela. Como a cabeça do Leo estava cobrindo a placenta, a supervisora pediu para que o transvaginal fosse feito para ter certeza. Mexe daqui, empurra dali (e o Leo bravo dá chutes e socos na mamãe) e, finalmente, tenho a confirmação de que a placenta estava sim mais para cima e que eu não precisava mais me preocupar.

Como num passe de mágica a tontura passou. Eu já sabia que queria o parto mais natural possível (mesmo com todo o medo que eu tenho da dor), mas só hoje eu tive a noção do quanto eu não queria passar por uma cesariana. Ô mente forte!

*Todas as grávidas precisam respeitar os limites do próprio corpo, tendo cuidado ao fazer exercícios físicos (incluindo relação sexual e limpeza da casa) e evitando ao máximo carregar peso. As grávidas com placenta prévia precisam ter um cuidado redobrado e, a qualquer sinal de sangramento, devem ir (ou ligar) para o hospital imediatamente.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

FALANDO COM A BARRIGA

Alguns meses atrás eu estava a caminho do meu trabalho e, enquanto andava na calçada, conversava em voz alta com o Leo, sem prestar a menor atenção ao meu redor. Ao chegar na frente do prédio, um colega olhou para mim com cara de espanto e perguntou com quem eu estava falando. A cara de espanto dele sumiu quando eu disse, com a maior naturalidade do mundo, que estava conversando com o meu bebê. Ele baixou a cabeça e entrou, com um pouco de medo da pessoa louca que fala com a  barriga. 

Eu posso ser meio doidinha, mas a verdade é que o feto começa a ouvir por volta da semana 21 de gestação. Ele não ouve as palavras, já que para que se ouça a palavra articulada é necessário que haja ar entre quem está falando e quem está ouvindo (e o bebê está no líquido amniótico); mas ouve os sons, incluindo sons externos, sons internos da mãe (como a batida do coração e a circulação do sangue) e as vozes. 

Com a memória começando a estabelecer-se no mesmo período, o bebê começa a reconhecer as vozes que ele mais ouve e acostuma-se com latidos do cãozinho da família, por exemplo. Testes, mamães, papais e médicos comprovam que o recém-nascido reconhece as vozes que ouvia quando ainda estava na barriga, e se acalmam. Por isso muitos dizem o quão importante é para os pais conversarem com a barriga da mamãe para criar esse vínculo. 

Não me importando com o fato do Leo só conseguir me ouvir a partir da semana 21, eu comecei a conversar com ele muito antes disso e percebi uma coisa muito importante... uma não, várias:

- ao conversar com ele, eu me sinto bem, mesmo que tenha sido um dia ruim e eu esteja desabafando. Ao me sentir bem, ele sente-se bem, já que o bebê sente o que a mamãe está sentindo desde o começo da gestação;

- isso me leva a sempre pensar que preciso estar me sentindo bem e calma, para que ele fique bem e tranquilo. Pensar nele e conversar com ele são duas das coisas mais eficazes para que eu me sinta bem instantaneamente;

- eu passei a me importar menos ainda com o que as pessoas pensam de mim. Aqui na Austrália é um pouco mais fácil que no Brasil, já que é cultural cuidar da sua própria vida ao invés da dos outros, mas eu realmente passei a me preocupar menos ainda se alguém passar por mim na rua e pensar que sou louca;

- o vínculo que eu e meu marido estamos criando com nosso filho cresce a cada dia. Não passamos um dia sequer sem conversar com ele e isso nos faz sentir muito conectados à ele;

- eu passei a me apaixonar mais pelo meu marido vendo-o conversando, fazendo carinho e beijando o Leo, antes mesmo dele nascer. É uma das minhas cenas preferidas. 

Imagino que muita gente sinta-se um tanto quanto estranha ao fazer isso, mas ao sentir o bebê interagindo, isso passa. O que fazer para conectar-se ao bebê:

CONVERSAR
Eu aproveito muito as minhas caminhadas para contar tudo pro Leo. Falo de cada um da família, conto o que aconteceu no dia e como todo mundo está ansioso esperando a chegada dele!

LER
Meu bebê nem nasceu ainda e já está ouvindo duas histórias: Harry Potter (na voz do papai) e O Pequeno Príncipe (na voz da mamãe). Posso dizer que ele adora esses momentos!




CANTAR
Não canto bem, nem um pouco, mas tenho um fã! Eu já fiz o teste: quando apenas ouço música, ele não se agita muito, mas quando eu começo a cantar, ele fica todo feliz. Como as pessoas na rua não merecem ficar me ouvindo cantar, eu reservo esse momento para o banho. 

Ah, uma coisa importante: provavelmente você já ouviu falar, ou leu em algum lugar, que as grávidas devem colocar músicas clássicas para o bebê ouvir. Esqueçam isso. Coloque música clássica somente se você gosta desse tipo de música. Se eu ficar um minuto ouvindo Mozart, por exemplo, ficarei completamente inquieta, o que levará o meu bebê a ficar incomodado. O importante é a futura mamãe curtir a música, assim seu bebê se sentirá bem. Melhor ainda se a dança acompanhar, embalando o pequeno. 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O PRIMEIRO CHUTE A GENTE NUNCA ESQUECE

Leo,


A mamãe lê, todos os dias, coisas relacionadas à gravidez e maternidade. Fazer isso traz uma mistura de tranquilidade (porque sei o que esperar) e ansiedade (porque sei o que pode e vai acontecer). Por isso eu estava ansiosíssima para a semana 18 chegar. 

As mamães de primeira viagem normalmente começam a sentir os movimentos do bebê dentro da barriga entre as semanas 18 e 22, apesar de poder demorar mais que isso. Eu não via a hora de sentir você aqui dentro e não ficar mais agoniada esperando a próxima consulta para ouvir seu coraçãozinho bater e saber que você está bem. A vovó me dizia para ficar calma, que eu provavelmente já estava te sentindo, só não sabia que era você ainda. Cada grávida descreve esses movimentos de uma forma, algumas dizem sentir borboletas, outras comparam com gases ou fome, sua avó disse que parecia um peixe. 

Você começou a se mexer por volta da semana 7 na verdade, mas como você ainda era bem pititico, e a camada de gordura te protegendo bem grossa, não tinha como eu sentir, até porque eu nem sabia direito o que esperar. A gente fica achando que vai sentir um chute, mas não é bem assim que acontece.

O papai teve que viajar a trabalho no começo da semana 18 e estava bem triste por nos deixar. Antes de ir, ele pediu para você cuidar bem de mim. Acho que você levou esse pedido tão à sério que respondeu, só que só à noite. Deitei e comecei a ler para você, como de costume, e então comecei a sentir um peixinho nadando dentro de mim, bem fraquinho, mas definitivamente era um peixinho. Meus olhos encheram-se de lágrimas, mas continuei lendo para que você não parasse de se mexer. Foi apaixonante!

Hoje, 12 semanas depois, você já está bem maior e com uma rotina mais frequente. Você adora fazer festas quando a mamãe está tentando dormir! Confesso que já estou no momento de pedir para você aquietar-se um pouco para eu conseguir dormir (ou respirar quando você resolve usar minhas costelas como saco de areia para treinar seu boxe), mas mesmo cansada e com olheiras, eu não deixo de rir e apaixonar-me mais ainda a cada chute, soco, soluço, cabeçada, joelhada, cotovelada, esticada e virada que sinto. Então eu tento, do jeito que dá, te abraçar. 

Você é bem tímido e quase nunca deixa a mamãe te filmar, mas de vez em quando eu consigo te enganar:





Então treine bastante, filho, daqui a pouco você estará usando essas perninhas e bracinhos para descobrir o mundo!