Alguns meses atrás eu estava a caminho do meu trabalho e, enquanto andava na calçada, conversava em voz alta com o Leo, sem prestar a menor atenção ao meu redor. Ao chegar na frente do prédio, um colega olhou para mim com cara de espanto e perguntou com quem eu estava falando. A cara de espanto dele sumiu quando eu disse, com a maior naturalidade do mundo, que estava conversando com o meu bebê. Ele baixou a cabeça e entrou, com um pouco de medo da pessoa louca que fala com a barriga.
Eu posso ser meio doidinha, mas a verdade é que o feto começa a ouvir por volta da semana 21 de gestação. Ele não ouve as palavras, já que para que se ouça a palavra articulada é necessário que haja ar entre quem está falando e quem está ouvindo (e o bebê está no líquido amniótico); mas ouve os sons, incluindo sons externos, sons internos da mãe (como a batida do coração e a circulação do sangue) e as vozes.
Com a memória começando a estabelecer-se no mesmo período, o bebê começa a reconhecer as vozes que ele mais ouve e acostuma-se com latidos do cãozinho da família, por exemplo. Testes, mamães, papais e médicos comprovam que o recém-nascido reconhece as vozes que ouvia quando ainda estava na barriga, e se acalmam. Por isso muitos dizem o quão importante é para os pais conversarem com a barriga da mamãe para criar esse vínculo.
Não me importando com o fato do Leo só conseguir me ouvir a partir da semana 21, eu comecei a conversar com ele muito antes disso e percebi uma coisa muito importante... uma não, várias:
- ao conversar com ele, eu me sinto bem, mesmo que tenha sido um dia ruim e eu esteja desabafando. Ao me sentir bem, ele sente-se bem, já que o bebê sente o que a mamãe está sentindo desde o começo da gestação;
- isso me leva a sempre pensar que preciso estar me sentindo bem e calma, para que ele fique bem e tranquilo. Pensar nele e conversar com ele são duas das coisas mais eficazes para que eu me sinta bem instantaneamente;
- eu passei a me importar menos ainda com o que as pessoas pensam de mim. Aqui na Austrália é um pouco mais fácil que no Brasil, já que é cultural cuidar da sua própria vida ao invés da dos outros, mas eu realmente passei a me preocupar menos ainda se alguém passar por mim na rua e pensar que sou louca;
- o vínculo que eu e meu marido estamos criando com nosso filho cresce a cada dia. Não passamos um dia sequer sem conversar com ele e isso nos faz sentir muito conectados à ele;
- eu passei a me apaixonar mais pelo meu marido vendo-o conversando, fazendo carinho e beijando o Leo, antes mesmo dele nascer. É uma das minhas cenas preferidas.
Imagino que muita gente sinta-se um tanto quanto estranha ao fazer isso, mas ao sentir o bebê interagindo, isso passa. O que fazer para conectar-se ao bebê:
CONVERSAR
Eu aproveito muito as minhas caminhadas para contar tudo pro Leo. Falo de cada um da família, conto o que aconteceu no dia e como todo mundo está ansioso esperando a chegada dele!
LER
Meu bebê nem nasceu ainda e já está ouvindo duas histórias: Harry Potter (na voz do papai) e O Pequeno Príncipe (na voz da mamãe). Posso dizer que ele adora esses momentos!
CANTAR
Não canto bem, nem um pouco, mas tenho um fã! Eu já fiz o teste: quando apenas ouço música, ele não se agita muito, mas quando eu começo a cantar, ele fica todo feliz. Como as pessoas na rua não merecem ficar me ouvindo cantar, eu reservo esse momento para o banho.
Ah, uma coisa importante: provavelmente você já ouviu falar, ou leu em algum lugar, que as grávidas devem colocar músicas clássicas para o bebê ouvir. Esqueçam isso. Coloque música clássica somente se você gosta desse tipo de música. Se eu ficar um minuto ouvindo Mozart, por exemplo, ficarei completamente inquieta, o que levará o meu bebê a ficar incomodado. O importante é a futura mamãe curtir a música, assim seu bebê se sentirá bem. Melhor ainda se a dança acompanhar, embalando o pequeno.