terça-feira, 3 de novembro de 2015

A IMIGRAÇÃO

Ouvi de muita gente que sou extremamente corajosa, doida, que jamais conseguiriam deixar tudo e todos para trás e começar uma vida nova do outro lado do mundo. Para isso eu sempre tive a mesma resposta, o meu maior motivo para fazer essa loucura: "eu quero poder dar uma vida melhor para os meus filhos". Eu sei (e sinto na própria pele) que essa não é uma decisão fácil de ser tomada, mas para os que não entendem, tentarei explicar como cheguei aqui.

Assim como a maioria das pessoas, venho de uma família de imigrantes. 3 dos meus 4 avós saíram de Portugal e foram procurar uma vida melhor no Brasil. 2 deles nunca olharam para trás. Construíram uma vida e uma família e deixaram seu passado na Europa. Os que conheceram minha avó Teresa sabem que não existiu nesse mundo alguém mais família que ela. Só ela conseguia juntar a família toda (e as famílias do outro lado da família) e ainda manter contato com toda a família que ela deixou em Portugal - sem internet! Minha avó não era fácil, mas ela conseguia trabalhar fora (e muito!), cuidar da casa toda sozinha, cuidar do marido e ainda dar atenção, acompanhada de um banquete, para todo mundo... com a unha sempre feita.

Tenho família no Brasil, em Portugal, na Alemanha e na Austrália. Meus pais sempre entenderam essa vontade minha e do meu irmão, a busca por uma vida melhor está no nosso sangue. O que posso falar para vocês é que eu nem pensei (ou tive que pensar) muito para tomar essa decisão. Eu sempre quis que meus filhos tivessem duas línguas maternas e segurança para poder brincar em um parque aberto.

Claro que me sinto triste em pensar que não verei minha afilhada se formar, meu afilhado nunca vai lembrar de já ter dormido nos meus braços, ninguém está tendo o prazer de ver minha barriga crescer e eu não estou tendo o prazer de ser paparicada pessoalmente. Amo minha família e meus amigos, mas pensar que meus filhos terão uma educação de verdade, respirando um ar puro num lugar seguro... não tem preço.

A decisão veio naturalmente antes mesmo do Otávio aparecer na minha vida e dividir esse plano comigo. E, gente, poder passar por uma gravidez 'tranquila' sem o medo de sofrer abuso médico além de todos os medos naturais, sem ter que esperar 1 mês por uma consulta ou 3h no pronto socorro tendo assistência médica particular paga em dia... sem palavras, né?

Não é fácil, não está sendo nada fácil. Eu provavelmente não estaria passando por essa depressão se estivesse aí (ou talvez a depressão seria outra), mas, além de eu não me arrepender de nada, pretendo construir toda uma vida e uma família aqui, me espelhando nas melhores mulheres que conheço.

4 comentários:

  1. Não estou do outro lado do mundo, mas sinto e passo pelas mesmas coisas Thé.
    Neste momento que você está, tudo que mais queremos é estar próximo da família, principalmente da mãe, e isso vai continuar depois que o baby nascer tbm...
    Mas dar uma melhor qualidade de vida para nossos filho compensa e muitooooo...
    Beijos Carol e Fefe

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    1. Ah, Carol, com certeza. Não precisa estar do outro lado do mundo para sentir falta da família e querer o colo e ajuda da mãe nesse momento. Acho que eu nunca senti tanta falta dela na minha vida, mas realmente, eu não me arrependo nem por 1 segundo quando penso em tudo que meu filho terá de bom aqui!
      E a Fefê linda com certeza crescerá curtindo muito toda essa natureza e qualidade de vida que você está dando pra ela.
      Obrigada, querida. =]
      bjinhos para as duas

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  2. é isso meu amor, não é fácil mesmo largar o conforto da casa dos seus pais, da sua família, do seu país é preciso uma dose de loucura e umas 5 doses de coragem, mas você é capaz! É corajosa, doidinho é muito batalhadora, então continue com as batalhas diárias, você consegue!!!!
    Beijos meu amor!

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    1. Com o seu apoio e ajuda, mãezinha, eu consigo qualquer coisa!

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