quarta-feira, 28 de outubro de 2015

PRIMEIRA CONSULTA NA MATERNIDADE - dia difícil

Depois do dia de hoje decidi não começar pelo começo. E também não falarei hoje sobre como funciona o pré-natal aqui. Então vamos ao desabafo...

Sempre fui um tanto quanto desastrada e esquecida. Já quebrei e perdi incontáveis coisas durante minha vida. Já ouvi que é porque eu sou descuidadosa e não ligo para as coisas, mas eu não sou assim só com coisas materiais, eu também vivo me machucando. E eu ligo muito para mim mesma! Afinal, sou eu que fico sentindo dor depois de me bater sem querer no batente da porta.

Seja lá qual for o motivo, eu já gastei uma bela grana com celulares por causa dessa minha característica. Em 4 meses de Austrália, estou no terceiro celular. Comprei um novo quando cheguei e encostei o meu antigo. Perdi o novo (e quem achou não era uma pessoa boa - ou inteligente), peguei o antigo de novo. Ontem ele caiu do meu bolso e eu só percebi quando estava chegando em casa. Um bom samaritano achou ele caído na rua, em pedaços, após um carro passar por cima. Recuperei as fotos e vídeos, mas o bolso (que está arcando com casa nova, bebê a caminho, mães vindo passar alguns meses, e possível viagem) não ficou feliz.

Eu tenho plena consciência de que um bebê é completamente diferente de bens materiais, ou até mesmo do meu próprio corpo, fora que eu cuido de bebês desde os meus 10 anos de idade e nunca machuquei nenhum deles... mas hoje de manhã o meu medo e os pensamentos negativos falaram mais alto do que o meu conhecimento, e me fizeram ficar em posição fetal (ou bolinha - hahaha - ainda preciso pesquisar por que instintivamente ficamos em posição fetal quando não estamos bem... até consigo imaginar a ligação física e psicológica, mas irei atrás da ciência) chorando e soluçando sem ar. Não quero assustar e preocupar mais ainda meus amigos e familiares, mas acho importante descrever aqui o que acontece. Um pensamento puxa outro e eu acabei com as seguintes coisas na minha cabeça:

- "sendo o desastre que eu sou, vou acabar machucando o meu bebê, a ponto de não poder ficar sozinha com ele. Ou pior, esquecê-lo em algum lugar."
- "isso vai me levar à depressão pós-parto e eu não conseguirei MESMO cuidar do meu bebê."
E, como sempre:
- "já estou fazendo mal para o meu bebê, afinal ele sente tudo que eu sinto e no momento ele só consegue sentir meu desespero e choro!"

Tudo isso antes das 9h da manhã. Bom, com um empurrão do Otávio e do bebê, fui para a maternidade com o meu caderninho cheio de perguntas. Em mais ou menos 2h de consulta, a fofa da midwife (parteira) anotou os resultados de todos os meus exames até agora na minha ficha, me deu lição de casa para ler, ouviu tudo que eu precisava falar e respondeu todas as minhas perguntas pacientemente. Eu até ganhei uma bolsinha com coisinhas dentro depois que falei que pretendo sim amamentar! <3

Eu passei o resto do dia como normalmente fico nos dias ruins da depressão: sentindo medo, tristeza por estar fazendo meu bebê sentir essas coisas ruins que eu estou sentindo, o corpo não consegue se mexer pra fazer nada... mas agora eu já começo a lutar, consigo não me jogar na cama e ficar lá na minha bolinha pra sempre, e até consigo fazer algumas coisas, mesmo que bem pouco.

Com relação à depressão, a midwife fofa me deixou com os seguintes conselhos:

- continuar fazendo o que estou fazendo: falar/escrever sobre, diminuir o stress e o horário no trabalho, conversar com o bebê, repousar quando as dores físicas estiverem fortes e ir devagar com tudo.
- ir atrás de hypnobirthing (vamos ver)
- afastar os pensamentos negativos e focar no quão sortuda eu sou, afinal tanta gente tenta e espera muito tempo pela imigração, emprego, gravidez...



segunda-feira, 19 de outubro de 2015

NOVA MULHER, NOVA VIDA, NOVO BLOG

Eu gostaria de começar pedindo desculpa às minhas amigas. Um dos sintomas da depressão é o sentimento de culpa, e me abrir com o "mundo" antes de me abrir com as minhas amigas me faz ter esse sentimento. O que posso dizer é que vocês compreenderão.

Eu sempre fui uma pessoa fechada. Sou ótima ouvinte, o que me faz ser a psicóloga até do desconhecido no elevador, mas na hora de me abrir... abrir de verdade, confessar fraquezas e dores, esquece. Minha mãe e meu marido são os que sabem mais sobre o que estou passando, mas os meus maiores medos e tristezas eu guardo em qualquer cantinho que eu tenha dentro de mim mesma, pra ninguém conseguir chegar perto. Mas agora tudo mudou, agora eu tenho uma pessoinha dentro de mim que tem acesso à todos esses sentimentos, mas ao invés de entendê-los e me confortar, essa pessoinha pode acabar sendo prejudicada. 

A culpa (olha ela aí de novo) de correr o risco de machucar o meu bebê foi o que me fez ir atrás de descobrir o que estava acontecendo comigo e pedir ajuda. Eu sou extremamente orgulhosa e minha vida inteira eu fui o tipo de pessoa que jamais demonstra precisar de ajuda. Isso, pra mim, era sinal de fraqueza e eu tinha que ser a pessoa mais forte do mundo. Felizmente eu fiz a escolha a certa e admitir a doença e a necessidade de ajuda está sendo bom. 

Não irei falar somente sobre a depressão na gravidez, também contarei toda a jornada de adaptação na minha nova cidade, como funciona o sistema público e toda a gravidez/parto aqui do outro lado do mundo e também sobre mim. 

Cheers, mate! =]