Todo mundo já ouviu falar de grávidas terem desejos estranhos. Minha mãe só pensava em cenoura durante a gravidez do meu irmão e chegou a comer uma panela todinha de pato no tucupi durante a minha.
Eu estava toda esperançosa em passar a odiar chocolate e pão, e ter desejos doidos de comer frutas, verduras e legumes. É... nem sempre a gente consegue o que quer.
A ciência ainda não conseguiu explicar o porquê das grávidas terem desejos, mas sabemos que eles são reais. Muitos acreditam que os desejos originam-se da falta de algum nutriente no organismo da mamãe. Seguindo isso, aquelas que sentem desejo por gelo ou tijolo, por exemplo, estariam com falta de ferro (gente, esse desejo por coisas não alimentícias acontece tanto que até virou uma síndrome chamada picamalácia). A falta de magnésio levaria a mamãe a querer chocolate e a falta de proteína levaria ao desejo de comer carne vermelha. Tem muita mulher por aí com falta de magnésio no organismo (já eu estou seriamente precisando de proteína)...
Outras pessoas dizem que é tudo culpa dos benditos hormônios. Eles seriam os responsáveis por mudar o paladar da grávida e fazê-la passar a comer coisas que não comia antes, e/ou deixar de comer coisas que adorava.
Eu era campeã em comer pipoca no jantar. Não mais, o bebê definitivamente não aceita isso. Minha refeição preferida sempre foi o café da manhã, sou até conhecida como a menina do pão na chapa e Toddy, mas meu bebê fez minha refeição preferida passar a ser o almoço, que é quando eu posso comer comida de verdade. Apesar de ter escolhido ser australiano, ele tem muito sangue brasileiro! Sonho muito em comer um PF todinho de arroz, feijão, bife, ovo e batata frita (dica de presente pra Thelma: mandar pelo correio um pacote de arroz e um de feijão de 2kg cada).
A vida na Austrália e a gravidez fizeram eu me tornar uma pessoa muito mais saudável e eu sou muito grata por isso. Mas infelizmente o bebê também não gosta de frutas...
Mulher, capricorniana, ansiosa, sonhadora, esposa, imigrante e mãe. Bem vindo à minha blog-terapia. Se quiser conversar, escreva para babykoalinha@gmail.com. =)
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
A QUIETUDE DA INQUIETA
Sou fã de começos. Acredito que tudo na vida e nas pessoas esteja interligado. Sou o tipo de pessoa que no meio de uma briga fala: "mas o problema não é esse, é que isso acontece por causa de um motivo maior..." e meu marido pode comprovar isso. Você pode passar horas me falando os meus defeitos, qualidades e atitudes e, juro, eu serei capaz de ligar absolutamente tudo a um dos meus maiores problemas: a inquietude.
Não sou a melhor pessoa com términos. Meus ex podem confirmar, mesmo aqueles com quem eu terminei. Levo isso para tudo que faço. Sou extremamente criativa, amo artesanato, minha casa sempre foi cheia de sucata e linhas e lãs porque eu e minha mãe sempre fomos partidárias do "um dia usarei isso para alguma coisa". O pior é que sempre que decidíamos jogar algo fora ou doar, achávamos um uso para aquilo na semana seguinte. Bendito Murphy.
Quando vejo algo que gosto já começo a pensar como criar um sozinha. Quando tenho alguma ideia já me sinto mega ansiosa para colocá-la em prática. O problema é que eu nunca termino o que começo. Tenho uns 4 scrapbooks, 1 mural de fotos, 1 cachecol e algumas ideias que estão esperando a minha atenção... dia após dia.
O meu maior problema com a depressão não é o choro, a preocupação, o não ter vontade de sair da cama ou o medo. Meu maior problema é ter tempo, coisas para fazer, vontade, e mesmo assim não conseguir. Sou muito a favor de tirarmos um dia de vez em quando para não fazermos nada, principalmente as grávidas, mas eu tenho passado a maior parte do meu tempo sentada olhando para o nada. No máximo para a TV, sem conseguir prestar muita atenção. Eu me sinto TÃO frustrada com isso, depois que o bebê nascer eu não terei todo esse tempo. =/
Bom... pelo menos tenho conseguido ler e escrever! E com isso acabo tendo uma gravidez mais tranquila. =]
Não sou a melhor pessoa com términos. Meus ex podem confirmar, mesmo aqueles com quem eu terminei. Levo isso para tudo que faço. Sou extremamente criativa, amo artesanato, minha casa sempre foi cheia de sucata e linhas e lãs porque eu e minha mãe sempre fomos partidárias do "um dia usarei isso para alguma coisa". O pior é que sempre que decidíamos jogar algo fora ou doar, achávamos um uso para aquilo na semana seguinte. Bendito Murphy.
Quando vejo algo que gosto já começo a pensar como criar um sozinha. Quando tenho alguma ideia já me sinto mega ansiosa para colocá-la em prática. O problema é que eu nunca termino o que começo. Tenho uns 4 scrapbooks, 1 mural de fotos, 1 cachecol e algumas ideias que estão esperando a minha atenção... dia após dia.
O meu maior problema com a depressão não é o choro, a preocupação, o não ter vontade de sair da cama ou o medo. Meu maior problema é ter tempo, coisas para fazer, vontade, e mesmo assim não conseguir. Sou muito a favor de tirarmos um dia de vez em quando para não fazermos nada, principalmente as grávidas, mas eu tenho passado a maior parte do meu tempo sentada olhando para o nada. No máximo para a TV, sem conseguir prestar muita atenção. Eu me sinto TÃO frustrada com isso, depois que o bebê nascer eu não terei todo esse tempo. =/
Bom... pelo menos tenho conseguido ler e escrever! E com isso acabo tendo uma gravidez mais tranquila. =]
sexta-feira, 13 de novembro de 2015
TER FILHO NO BRASIL X TER FILHO NA AUSTRÁLIA
Uma coisa assustadora: engravidar no exterior sem saber como todo o sistema funciona. Eu tive tempo de começar a pesquisar, mas o bebê quis vir logo, então estou aprendendo na pratica.
Basicamente no Brasil tudo é mais monitorado e na Austrália tudo é mais natural. Ambos tem seu lado bom e seu lado ruim.
No Brasil eu estaria tendo um pré-natal pago pela assistência médica particular, tendo consultas periódicas de acordo com a agenda lotada da minha (ex) obstetra/ginecologista que eu adorava e confiava de olhos fechados... passaria por não sei quantos ultrassons, ainda estaria fazendo fisioterapia e sendo acompanhada pela minha ortopedista, que eu também adorava e confiava de olhos fechados, por causa da minha coluna.
Na Austrália eles não ficam "cutucando" a futura mamãe e não existe mimimi. Gravidez definitivamente não é doença, é um processo natural e lindo. Isso não quer dizer que as mamães ficam soltas sem serem cuidadas.
Uma das primeiras coisas que eu queria fazer quando chegasse aqui era ir atrás de uma assistência médica particular. Por conta da carência de 1 ano para gravidez, nós dois começamos a pesquisar e sair perguntando pra todo mundo como o Medicare (SUS daqui) funciona e se é realmente bom. Quando optamos pelo sistema público, o bebê já estava conosco sem sabermos, então não teria dado tempo de qualquer maneira.
Até mais ou menos 20 semanas de gestação (eu fui chamada antes na maternidade, com 16 semanas) toda grávida faz o acompanhamento com o seu GP (General Practitioner) que é o clínico geral. Ele é quem encaminha a paciente para fazer os exames ou para algum especialista, caso necessário. Ele também é o responsável por pedir os exames ginecológicos de rotina. Ele encaminha a futura mamãe para a maternidade mais próxima de onde ela mora, caso a gravidez não seja de risco. Em sendo de risco ela vai automaticamente para o Royal Women's Hospital, que será onde o meu bebê vai nascer porque é a maternidade mais próxima de onde eu moro (ou seja, sem pagar nada eu terei o meu bebê na melhor maternidade da cidade!). A partir de 20 semanas o acompanhamento é feito pelas midwives (parteiras) da maternidade. Aí é que entra o 'problema' pra muita gente...
Esse tema será muito abordado aqui, mas como é extremamente longo, eu dividirei em muitos posts. Por enquanto fico por aqui, dizendo pra vocês que apesar do medo de muita gente (inclusive meu) com relação ao sistema público e parto natural e tal... eu estou sendo super cuidada, mesmo não sendo monitorada todo mês. Eu e o bebê estamos muito bem. =]
terça-feira, 3 de novembro de 2015
A IMIGRAÇÃO
Ouvi de muita gente que sou extremamente corajosa, doida, que jamais conseguiriam deixar tudo e todos para trás e começar uma vida nova do outro lado do mundo. Para isso eu sempre tive a mesma resposta, o meu maior motivo para fazer essa loucura: "eu quero poder dar uma vida melhor para os meus filhos". Eu sei (e sinto na própria pele) que essa não é uma decisão fácil de ser tomada, mas para os que não entendem, tentarei explicar como cheguei aqui.
Assim como a maioria das pessoas, venho de uma família de imigrantes. 3 dos meus 4 avós saíram de Portugal e foram procurar uma vida melhor no Brasil. 2 deles nunca olharam para trás. Construíram uma vida e uma família e deixaram seu passado na Europa. Os que conheceram minha avó Teresa sabem que não existiu nesse mundo alguém mais família que ela. Só ela conseguia juntar a família toda (e as famílias do outro lado da família) e ainda manter contato com toda a família que ela deixou em Portugal - sem internet! Minha avó não era fácil, mas ela conseguia trabalhar fora (e muito!), cuidar da casa toda sozinha, cuidar do marido e ainda dar atenção, acompanhada de um banquete, para todo mundo... com a unha sempre feita.
Tenho família no Brasil, em Portugal, na Alemanha e na Austrália. Meus pais sempre entenderam essa vontade minha e do meu irmão, a busca por uma vida melhor está no nosso sangue. O que posso falar para vocês é que eu nem pensei (ou tive que pensar) muito para tomar essa decisão. Eu sempre quis que meus filhos tivessem duas línguas maternas e segurança para poder brincar em um parque aberto.
Claro que me sinto triste em pensar que não verei minha afilhada se formar, meu afilhado nunca vai lembrar de já ter dormido nos meus braços, ninguém está tendo o prazer de ver minha barriga crescer e eu não estou tendo o prazer de ser paparicada pessoalmente. Amo minha família e meus amigos, mas pensar que meus filhos terão uma educação de verdade, respirando um ar puro num lugar seguro... não tem preço.
A decisão veio naturalmente antes mesmo do Otávio aparecer na minha vida e dividir esse plano comigo. E, gente, poder passar por uma gravidez 'tranquila' sem o medo de sofrer abuso médico além de todos os medos naturais, sem ter que esperar 1 mês por uma consulta ou 3h no pronto socorro tendo assistência médica particular paga em dia... sem palavras, né?
Não é fácil, não está sendo nada fácil. Eu provavelmente não estaria passando por essa depressão se estivesse aí (ou talvez a depressão seria outra), mas, além de eu não me arrepender de nada, pretendo construir toda uma vida e uma família aqui, me espelhando nas melhores mulheres que conheço.
Assim como a maioria das pessoas, venho de uma família de imigrantes. 3 dos meus 4 avós saíram de Portugal e foram procurar uma vida melhor no Brasil. 2 deles nunca olharam para trás. Construíram uma vida e uma família e deixaram seu passado na Europa. Os que conheceram minha avó Teresa sabem que não existiu nesse mundo alguém mais família que ela. Só ela conseguia juntar a família toda (e as famílias do outro lado da família) e ainda manter contato com toda a família que ela deixou em Portugal - sem internet! Minha avó não era fácil, mas ela conseguia trabalhar fora (e muito!), cuidar da casa toda sozinha, cuidar do marido e ainda dar atenção, acompanhada de um banquete, para todo mundo... com a unha sempre feita.
Tenho família no Brasil, em Portugal, na Alemanha e na Austrália. Meus pais sempre entenderam essa vontade minha e do meu irmão, a busca por uma vida melhor está no nosso sangue. O que posso falar para vocês é que eu nem pensei (ou tive que pensar) muito para tomar essa decisão. Eu sempre quis que meus filhos tivessem duas línguas maternas e segurança para poder brincar em um parque aberto.
Claro que me sinto triste em pensar que não verei minha afilhada se formar, meu afilhado nunca vai lembrar de já ter dormido nos meus braços, ninguém está tendo o prazer de ver minha barriga crescer e eu não estou tendo o prazer de ser paparicada pessoalmente. Amo minha família e meus amigos, mas pensar que meus filhos terão uma educação de verdade, respirando um ar puro num lugar seguro... não tem preço.
A decisão veio naturalmente antes mesmo do Otávio aparecer na minha vida e dividir esse plano comigo. E, gente, poder passar por uma gravidez 'tranquila' sem o medo de sofrer abuso médico além de todos os medos naturais, sem ter que esperar 1 mês por uma consulta ou 3h no pronto socorro tendo assistência médica particular paga em dia... sem palavras, né?
Não é fácil, não está sendo nada fácil. Eu provavelmente não estaria passando por essa depressão se estivesse aí (ou talvez a depressão seria outra), mas, além de eu não me arrepender de nada, pretendo construir toda uma vida e uma família aqui, me espelhando nas melhores mulheres que conheço.
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